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Cineasta 81


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Não é por sono ou falta de vontade que minha maquina vai parar de trabalhar. Vou fazer uma força, sair do trabalho, assistir um filme na mostra de falsos documentários.
Quem sabe eu encontre algum sentido verdadeiro no meio de uma mentira bem elaborada?

A luz, o calor e o amor


A luz e o calor existem. Se constata isso observando seus efeitos. Na luz você observa a clareza, o calor você observa com o aquecimento e com Deus você observa o amor, causa e efeito, respectivamente. A luz e o calor podem ser mensurados pela física, mas nenhuma ciência explica sobre o amor de forma precisa, mas o amor existe.

Estudar a escuridão é estudar o vazio. Não há conteúdo, mas ela está lá. A ciência nãe é a última das respostas para todos os problemas humanos, a ciência ainda é insuficiente.


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A toa pela madrugada


"Você parece sempre tão insatisfeita ao meu lado, que não consigo crer que tenho o poder te fazer feliz", foi o que eu disse antes de abandonar o carro naquela noite.

Jogavamos sinuca, cantavamos uma homenagem ao Michael Jackson, bebíamos cerveja, pagavamos quinze reais para entrar, nos divertimos. Na saída começaram as implicâncias, as pequenas frases que magoam em pequenas doses e acumulam sacos pesados de gotas sujas.

Ela jogou o casaco dele para fora e saiu com o carro. Ele voltou para a sinuca mas não quis ficar lá. Saiu da sinuca e caminhou, às duas da manhã pela avenida principal do plano piloto em Brasília. Duas prostitutas sentadas na parada de ônibus esperavam clientes. Ele se sentou no meio das duas, os olhos marejados.

"Que noite infernal", comentou. "Que noite infernal, estou com o azar do meu lado". Uma das prostitutas tinha a cara cheia de maquiagem, um vestido preto curto e botas de salto alto. "Aonde você estava?", perguntou a prostituta. "Jogando sinuca...". A prostituta tinha os olhos avermelhados, fosse pelo consumo de drogas ou pela falta de noites bem dormidas, era hora de sair. Levantou e disse: "Estou atrapalhando seus negócios, com licença".

Ele caminhou, andou uns bons 10 quilômetros até a rodoviária. "Ela nunca está errada, é o que ela pensa. Que merda. que merda de vida. É difícil acreditar num futuro desse jeito, é difícil ser romântico e pensar em coisas boas quando tudo o que se tem em cima de você é cobrança e reclamação. O problema é que ela foi criada assim, ela resolve tudo brigando, ou gritando. Ela me ofende sem nem perceber. Outro dia me disse que eu sou um cara que só faz pose, mas não faz nada. Falou que eu sou do tipo que apoia a greve mas não se une a ela. O que ela quis dizer com isso? Não sei ao certo, mas o tom de voz foi de desrespeito, foi um tom jocoso. Senti que ela não tem respeito por mim. Ela pode até realmente gostar de mim, mas não me respeita. E isso é grave. É por essa falta de respeito que ela me trata assim, com tanta implicância. Ela diz que precisa ter paciência comigo. Eu não quero viver com uma pessoa que vive se segurando pra não brigar comigo. Ela não sabe ficar calma... Eu quero paz! Ela precisa aprender a ser uma pessoa calma, uma pessoa que sabe aproveitar a vida mesmo nas horas em que a vida parece uma merda. Eu aceito tantos defeitos dela, porque ela não pode aceitar os meus?" e enquanto era lavado por essa enxurrada de pensamentos, chegou na rodoviária, meio preocupado para não ser assaltado. Sentou no chão e esperou o tal corujão. O onibus que sai de madrugada para levar os remanescentes para casa.

Deitou na cama e dormiu como um tijolo. Amanheceu frio como a lua.