Idylliu
A sensação de que o tempo não existe
Caiu sobre brasília o sol do fim de tarde. O momento que os pintores, fotógrafos e cineastas chamam de hora mágica. Quando toda fotografia sai bonita. Um cobertor de sol alaranjado paira sobre tudo para tingir a vida, enche os olhos.
Os pássaros entrelaçam-se no céu em vôos curtos de um poste ao outro, de uma árvore à um alpendre, confundiram-se. Pairaram de asas ora abertas, ora fechadas. Os pássaros, acostumados pardais ou foragidos sabiás, sobrevoaram o casal de namorados, que de mãos dadas observavam a vida passando, o mavioso canto diário. Sentiu-se o tempo tão devagar. Mas o relógio nasceu para desmentir as ilusões, o tempo passa sim e passa depressa. "Você me dá a sensação de que não existe o tempo", foi o que ele quis dizer a ela. Quem dera ele tivesse dito, mas a mecânica da curiosa modernidade impulsiona os ponteiros "Responsabilidade, pressa, ação", diz o relógio a cada tic, a cada tac. Não há tempo para os namorados, viventes por natureza despreocupados.
O riso das crianças, o cheiro de terra molhada, a pipoca doce, nesta tarde comemorou-se o aniversário de uma cidade satélite. O palhaço incitou as crianças a cantar parabéns àquela cidade que ano-a-ano tomava novas formas. Asfaltos foram traçados, casas e edifícios foram erguidos. Vem ligeira esta modernidade de poeira suspensa e concreto recente, é triste porque rouba o tempo e o espaço do casal de namorados. A chegada desta dinâmica urbana é bem vinda por aqui, mas fica na memória a lembrança da época idílica, quando o tempo era só mais um detalhe.
Ele, o namorado, quis levá-la para passear, quis dançar ao som das engrenagens urbanas, do canto dos ventos voadores. E dançaram de mãos dadas no estranho ritmo de dos que andam sem destino. Quando ela parou de andar o sol laranja banhava o seu rosto e ele a beijou gratuitamente, quis dizer tantas coisinhas, significavam demais. Mas tinha o tempo, o dinheiro, a modernidade, ele não conseguiu dizer, havia um peso em seu peito, o peso de lembrar que entre os sonhos e a vida real há um abismo perigoso, em muitos casos fatal.
Independente dos perigos da vida urbana, capitalista e apressada ele sentiu-se bem por ela existir, pelo breve passeio. A hora passou, o celular tocou, ele se foi e a saudade ficou.
Para minhha querida neguinha companheira: Fulô.
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Quando tô bem o tempo passa rápido, nem o vejo passar.
E quando tô mal, é o oposto.
Eu tô bem, tá voando.
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que lindo!
minha hora predileta é a despedida do Sol...
Senso de humor anda em falta...tenho certeza que vc não é fútil!!!!!
Sorria, vc está sendo filmado....ou lido e relido!
beijos tantos
Senso de humor anda em falta...tenho certeza que vc não é fútil!!!!!
Sorria, vc está sendo filmado....ou lido e relido!
beijos tantos
Muito bom.
Lu Rosário
www.sempudor.blogs.sapo.pt
Que texto lindo, tb amo o por do sol... bjos
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